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Friday, 27-Aug-2010 12:00
NADA TENHO DE PESSOAL CONTRA O DONO DA TRANSMIL


COMENTÁRIO: Publiquei este texto no Menos Automóveis nas Ruas e reproduzo aqui, para reforçar a verdade sobre a campanha contra a Transmil. Essa campanha visa tão somente os transtornos vividos pelos usuários e rodoviários, nada tendo de pessoal contra o dono da empresa e nem viso qualquer questão de ordem empresarial, seja de que natureza for.

É lamentável que a situação fique como está, enquanto passageiros vivem alto risco nos ônibus da Transmil, também perigosos para seus próprios rodoviários, de tão velhos que estão. Já rodei em ônibus com pneus carecas, só para dar a noção do perigo.

Mais lamentável ainda é que, enquanto os busólogos reclamavam da empresa pelas costas, tudo permanecia na mais santa paz. Mas, quando eu propus uma solução drástica, vieram, estranhamente, as vozes contrárias, que preferiam que a empresa continuasse assim, com sua tragicomédia de erros. Bastava o teatrinho da renovação de frota, com uns dez ou vinte carrinhos "menos" velhos adquiridos de quarta mão, para continuar as reclamações pelas costas, alternando com comentários ingenuamente otimistas de outros.

Eu propus a substituição da Transmil pela Blanco nas linhas 005, 478, 479 e 479B não por questões de disputa empresarial ou curral político. Eu me baseei no caso de Queimados e Japeri, tão somente. E, por incrível que pareça, usei a solução mais realista. Se eu, em vez da Blanco, pedisse a Evanil, haveria quem me dissesse que eu estava sonhando demais. Se eu pedisse a Costeira, os detratores do Grupo Breda iriam odiar. Se eu pedisse a Tinguá, depois que o dono foi morto, seria um risco.

Mas pedi uma solução drástica visando tão somente o interesse dos passageiros, cansados de viajar em ônibus velhos e de serem enganados por uma pseudo-renovação de frota que apenas troca o pior pelo ruim, e dos rodoviários, cansados de esperar que questões de ordem trabalhista sejam resolvidas não se sabe quando. Só isso.

A própria empresa está desgastando sua imagem diante do público. O desgaste da imagem de uma empresa é uma ideia citada nas mais conceituadas teorias de administração e marketing. Se uma marca é desgastada no mercado, ela tem que sumir. Não dá para manter uma marca que teve um passado honroso mas tem um presente constrangedor. Isso é ir de encontro aos interesses dos passageiros e rodoviários. A péssima imagem da Transmil se vê claramente no centro do Rio, com os ônibus velhos e sujos da empresa contrastando com as demais empresas.

E olha que não pedi ainda a saída da Transmil das linhas de Nilópolis e da linha 651 Mesquita / Pavuna, acreditando na derradeira chance para a empresa nesses setores. Isso deveria ter sido levado em conta, apesar de eu estar consciente de que os moradores de Nilópolis também sofrem horrores com o desserviço da Trans1000.

A grande lição disso tudo é que, infelizmente, existem pessoas que parecem indiferentes, embora aparentemente solidárias, com os problemas vividos por passageiros e rodoviários por causa da Trans1000.

Os tempos históricos da Turismo Trans1000 não voltam jamais, não adianta insistir. Se apegar a uma empresa decadente porque ela um dia foi boa e desprezar o sofrimento dos passageiros - embora, em tese, se concorde com eles - expõe quem pensa assim à fúria dos rodoviários e ao desdém dos passageiros, porque eles poderão reconhecer um dia quem é que despreza o interesse público. Aí será pior.

Esse texto tira TODAS AS DÚVIDAS de que minha revolta contra a Transmil não tem relação alguma com os bastidores da empresa. E que a revolta contra a Transmil se baseia em reportagens e reclamações publicadas na imprensa carioca (inclui até mesmo jornais como O Dia), queixas que são ANTERIORES à campanha que eu faço contra a empresa. (A. F.)

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NADA TENHO DE PESSOAL CONTRA O DONO DA TRANSMIL

Não tenho a menor noção de qual é o patrimônio do dono da Turismo Trans1000. Não tenho qualquer noção se há interesses políticos ou outros por trás. A campanha que eu faço contra a Transmil é baseada em queixas que já são veiculadas na imprensa. Várias delas já eram publicadas quando eu ainda morava em Salvador.

Não é justo que os fãs da Transmil despejem suas raivas contra busólogos só porque são contra a empresa. Alegam que a empresa tem funcionários, que são pais de família etc.

Entendemos os problemas desses funcionários. Entendemos mesmo. Mas o que dizer de uma empresa que há muito tempo não presta um serviço decente, que comete irregularidades constrangedoras, que teve vários carros apreendidos pelo DETRO, que não consegue renovar sua frota há dois anos?

Os busólogos estufam o peito em favor da Trans1000, dizem que a empresa teve sua história, passa por dificuldades, faz toda uma choradeira. Mas o máximo que a empresa consegue fazer é um teatrinho de renovação.

Aí a empresa compra apenas um punhado de dez carros da Marcopolo Torino 99, ano 2005, que era da Santo Antônio de Duque de Caxias e que, antes, era da Caprichosa e antes ainda da Litoral Rio, e o "fã-clube" da empresa comemora, achando que os áureos tempos vão voltar. Se o Clube do Trecho, o Ônibus Expresso e o ODC Holding publicar, tá tudo bom.

Mas vimos esse mesmo filme e mesmo os ótimos carros da Marcopolo Viale que eram da Vera Cruz RJ 205 e, antes, da Viação Mauá (de São Gonçalo), na frota da Transmil, ficaram imprestáveis. Aí a empresa vai fazer outro teatrinho de renovação, provavelmente comprando Apache VIP 1 ex-Tijuquinha ou ex-Vila Isabel ou ex-Pavunense, ou então Marcopolo Viale ex-Vila Isabel, também uns dez carrinhos, e aí há fogos de artifício, champanhe, gritos eufóricos, quando, uns meses depois, todos esses carros passam a circular com ar condicionado desligado, com as borrachas de apoio das portas rasgadas e com goteiras e chão anti-derrapante raspado.

E até quando a Transmil vai adquirir os ônibus adaptados para portadores de necessidades especiais? Estamos perto de 2014 e o Ministério dos Transportes exigiu que as empresas acelerem na compra de ônibus adaptados para PNE.

Até agora nenhum carro da Transmil é adaptado para PNE. Será que a empresa só terá carros para PNE dois meses antes da Copa de 2014? Será que é maravilhoso os deficientes físicos que moram em Nilópolis e Mesquita fazerem malabarismos para entrar nos ônibus da empresa, que nem low entry são? O que a Transmil pensa serem os portadores de necessidades especiais? Atletas olímpicos? Ainda que fossem as paraolimpíadas, também não justifica a ausência de ônibus adaptados para PNE na Trans1000.

E os ônibus rodando com pneus carecas, retrovisor quebrado, teto furado que dá goteiras em dias de chuva. Isso é bonito? Se o simulacro de renovação de frota ocorrer de dois em dois anos, está tudo bem para o pequeno mas barulhento fã-clube da Trans1000.

DOR-DE-COTOVELO COM A PERDA DAS LINHAS DE QUEIMADOS

Além disso, rola todo um ciúme dos fãs da Transmil com a Transportes Blanco, uma dor-de-cotovelo com a perda das linhas de Queimados e Japeri, hoje operadas pela outra empresa com sua frota de carros novos. Estão com medo de que a situação se repita com as linhas de Mesquita e Nova Iguaçu ainda operadas pela Transmil.

Outro fator que causou muito ciúme desses busólogos é que a Transmil também perdeu as linhas que adquiriu da extinta Elmar, o que, segundo um outro busólogo, seria apenas um modo de reestruturar a extinta empresa, que reassumiria as linhas depois, já que a Elmar também era do mesmo dono da Transmil, ainda de acordo com esse busólogo.

Mas se esses fãs, ou então os supostos "capangas" da Transmil, querem depositar raiva ou represália em alguém, não façam contra humildes busólogos como eu, meu irmão e o busólogo DuqueCaxiense Roxo.

É bom deixar bem claro. NÃO RECLAMAMOS da Transmil sob o ponto de vista de investigadores criminais nem de desafetos políticos. Nosso único ponto de vista é o de passageiros indignados, como quaisquer outros.

Despejem sua raiva contra a imprensa carioca, que divulga as queixas dos passageiros sobre os transtornos causados pela empresa. Despejem sua raiva contra o jornal Extra, contra o jornal O Dia, contra o programa Balanço Geral da Rede Record. Despejem sua raiva contra o DETRO. Despejem sua raiva contra os passageiros que esperam nos pontos pelos ônibus da Transmil.

Nossa indignação é uma indignação de passageiros revoltados, afinal essa lenga-lenga não é de hoje, e é evidente que até a marca Trans1000 já se desgastou muito tempo, e não vamos fingir que está tudo bem ou que tudo será uma maravilha assim que o teatrinho da renovação (com carros até de terceira mão) recomeçar.

Em tempos de marcas fracas desaparecendo - como o Unibanco e os Supermercados Sendas - , a imagem negativa da Transmil fala muito mais alto do que a antiga história de glórias que a empresa teve. É bom deixar bem claro que a Transportes Oriental, famosa empresa carioca, também teve sua história admirável, seus funcionários pais de família, e como a empresa foi muito ruim ultimamente, ela acabou sendo extinta.

É bom deixar claro que existem recursos legais que possibilitam a transferência integral dos funcionários de uma empresa decadente para outra, e que os próprios sindicatos têm a permissão legal para mediar e supervisionar o processo na tramitação da Justiça. Com uma dedicação mais transparente, perseverante e permanente, dá para resolver todos os problemas a respeito.

Além do mais, o que é o zelo aos funcionários da Transmil, com sua frota de ônibus velhos e inseguros? Os fãs de Transmil hoje estão com a moral alta, mas vai um dia um ônibus da linha 003 Nilópolis / Passeio sofrer um grave acidente na Av. Brasil, causando mortos e feridos, e esses mesmos fãs terão que reagir em silêncio. Porque os próprios rodoviários da Transmil dirigem ônibus que, rodando, parecem um cruzamento de trem-fantasma com transporte de bóia-fria.

Como é que eles vão dizer, que toda empresa é vulnerável a um acidente de trânsito? Como eles explicarão os carros velhos, quebrados e com pneus carecas da Transmil? Mera coincidência?

Portanto, quem tem que tomar cuidado com as mensagens são os fãs e defensores da Transmil. Porque, sem saber, estão desprezando completamente as queixas dos passageiros, ou deixando as mesmas para o segundo plano.

Esse teatrinho de renovação de frota já aconteceu várias vezes e de nada adiantou. Não passa de um grande remendo. Não sou contra empresa comprar carro usado, mas as boas empresas que compram ônibus semi-novos sempre têm cuidado em pegar os usados menos antigos e ter um trabalho de conservação ou recuperação exemplares. Não é o caso da Transmil, que quando compra carros semi-novos, chega a comprar carros bem antigos e de segunda, terceira ou quarta mão, e deixa os carros à própria sorte, só fazendo reparos de emergência na última hora.

Portanto, nossa reclamação contra a Transmil visa tão somente seu (des)serviço. Não tenho ideia dos bastidores da empresa e nem tenho interesse nela. Nem sei que perfil tem seu proprietário. Nada sei, portanto, o que está por trás da empresa. Absolutamente, NADA.

Se defendo a entrada da Blanco nas linhas 005, 478, 479 e 479B, é baseado na experiência que a empresa tem em Queimados. E, até agora, não verifiquei uma irregularidade séria a respeito dessa experiência.

Repetindo, para NÃO DEIXAR DÚVIDAS: eu realmente NADA SEI a respeito do que está por trás da Transmil. Essa é a mais pura verdade.

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